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Poesia e Prosa

Tópico: Adolfo C. Monteiro

Sil
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Aurora
A poesia não é voz - é uma inflexão
Dizer, diz tudo a prosa. No verso
nada se acrescenta a nada, somente
um jeito impalpável dá figura
ao sonho de cada um, expectativa
das formas por achar. No verso nasce
à palavra uma verdade que não acha
entre os escombros da prosa o seu caminho
E aos homens um sentido que não há
nos gestos nem nas coisas:
vôo sem pássaro dentro
(Adolfo C. Monteiro)
09:37 - 09/12/2008

Respostas ao tópico: Adolfo C. Monteiro

Sil
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Permanência




Não peçam aos poetas um caminho. O poeta

não sabe nada de geografia celestial.

Anda aos encontrões da realidade

sem acertar o tempo com o espaço.

Os relógios e as fronteiras não tem

tradução na sua língua. Falta-lhe

o amor da convenção em que nas outras

as palavras fingem de certezas.





O poeta lê apenas os sinais

da terra. Seus passos cobrem

apenas distâncias de amor e

de presença. Sabe

apenas inúteis palavras de consolo

e mágoa pelo inútil. Conhece

apenas do tempo o já perdido; do amor

a câmara escura sem revelações; do espaço

o silêncio de um vôo pairando

em toda a parte.





Cego entre as veredas obscuras é ninguém e nada sabe

- morto redivivo.

Tudo é simples para quem

adia sempre o momento

de olhar de frente a ameaça

de quanto não tem
09:39 - 09/12/2008 Apagar
Sil
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Permanência

Não peçam aos poetas um caminho. O poeta
não sabe nada de geografia celestial.
Anda aos encontrões da realidade
sem acertar o tempo com o espaço.
Os relógios e as fronteiras não tem
tradução na sua língua. Falta-lhe
o amor da convenção em que nas outras
as palavras fingem de certezas.

O poeta lê apenas os sinais
da terra. Seus passos cobrem
apenas distâncias de amor e
de presença. Sabe
apenas inúteis palavras de consolo
e mágoa pelo inútil. Conhece
apenas do tempo o já perdido; do amor
a câmara escura sem revelações; do espaço
o silêncio de um vôo pairando
em toda a parte.

Cego entre as veredas obscuras é ninguém e nada sabe
- morto redivivo.
Tudo é simples para quem
adia sempre o momento
de olhar de frente a ameaça
de quanto não tem resposta.

Tudo é nada para quem
descreu de si e do mundo
e de olhos cegos vai dizendo:
Não há o que não entendo.
(Adolfo. C. Monteiro)

09:46 - 09/12/2008 Apagar
Sil
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Poeta

Poeta: uma criança em frente do papel,
Poema: os jogos inocentes,
invenções do menino aborrecido e só
A pena joga com palavras ocas,
Atira-se ao ar a ver se ganha o jogo.
Os dados caem: são o poema: Ganhou.
(Adolfo Casais Monteiro)
09:51 - 09/12/2008 Apagar



 
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