Deixo marcas indeléveis Dos meus passos na areia. Tenho todo o tempo Para sentir O calor da brisa que vem do deserto Na direcção do meu rosto. Caminho sonolento Até as pernas flectirem Pelo cansaço. Caído na areia Lábios gretados Olhos esbugalhados Pela ansiedade Das imagens Tentadoras Dos espelhos de água Provocados pela insolação Não encontro o fim deste labirinto eterno e infernal A minha cabeça almeja o impossível Quando o meu corpo incapaz de reagir Fica depositado na areia sem dar sinal de si. Passam imagens fascinantes pela mente Das quais não vislumbro o sentido. Meu Deus! Tudo isto é demasiado Não consigo sentir a brisa do mar. Daimons! Afastai-vos de mim! Não vendo a alma Por nada deste mundo.
Como resistir-lhes Se nem sequer consigo pestanejar E as poucas forças já me abandonaram Ao acordar vi uma imagem esbatida De um beduíno Que molhava os meus lábios Ressequidos com um pano alvo Embebido em água Enquanto murmurava: Alá o trouxe Alá o levará ao seu destino.
(Neno829)
14:50 - 15/04/2009
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